Psicose (1960)

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Psicose
(Psycho)
Diretor: Alfred Hitchcock


Alfred Hitchcock gostava de dizer que seu único objetivo como cineasta era “fazer o espectador sofrer”. Por esse critério, Psicose deveria ser considerada sua suprema realização cinematográfica. Muitos filmes de Hitchcock põem as pessoas na beirada da poltrona, mas Psicose foi com certeza o primeiro a fazê-las se esconderem debaixo dela.
Mesmo para quem já o assistiu diversas vezes, Psicose ainda é um dos filmes mais assustadores já produzidos. Todos os seus componentes conspiram para isso: a música só para cordas de Bernard Herrmann, pungente como um bando de aves furiosas bicando e dilacerando; o lacônico roteiro de Josef Stefano, baseado num romance popular de Robert Bloch; as sombras invasivas do diretor de fotografia John L. Russell por toda parte; a representação tocantemente vulnerável de Marion Crane por Janet Leigh; Anthony Perkins no papel que projetou e arruinou sua carreira; e, acima e tudo, Hitchcock no auge de sua forma, usando pura técnica para manipular e aterrorizar os espectadores e matando audaciosamente sua heroína com 40 minutos de filme. É aí que o diretor lança mão de seu artificio mais cruel, mudando a identificação do publico de Marion para Norman. Só gradualmente os espectadores se dão conta de que passaram para o lado de um assassino psicótico.
Psicose foi o maior sucesso da carreira de Hitchcock. Produção rápida e barata em preto e branco feita com sua reduzida equipe da televisão, o filme arrecadou 15 milhões de dólares somente no seu lançamento nos Estados Unidos. “É tremendamente gratificante”, disse Hitchcock a François Truffaut (1932-1984), “conseguir usar a arte cinematográfica para realizar uma espécie de comoção em massa. Não foi a mensagem que mexeu com o publico, nem um desempenho espetacular, nem a historia em si. Foi o filme, o cinema puro que o excitou.”

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